Saltitando com as Palavras, como o próprio significado da palavra SALTITAR — divagar de um para outro assunto — foi idealizado para expressar e partilhar as pequenas coisas boas, e menos boas da vida, tais como: emoções, dificuldades, desafios, conquistas, alegrias, enfim, pulular este espaço com todo o tipo de informação para o bem-estar e lazer.

Leite faz Bem ou Mal à saúde?

Os benefícios do consumo do leite que foram apregoados durante muitos anos deixaram de ser consensuais entre os especialistas.

Enquanto alguns deles defendem o consumo do alimento, afirmando que o mesmo contém uma série de nutrientes essenciais para a nossa saúde, outros confirmam que consumir leite ou derivados lácteos fazem mal. 

É sabido que o leite é um alimento natural e de elevada densidade nutricional que contém diversas vitaminas, sais minerais e outros nutrientes que são necessários para a manutenção da nossa saúde e que, também, é um alimento versátil do ponto de vista físico-químico que se integra facilmente na alimentação diária. 

O fato é que se até então o leite era visto como um alimento completo, por ser rico em cálcio e prevenir a osteoporose, o que se ouve hoje é que o nosso corpo tem necessidade de deslocar parte do cálcio que já existe em nossos ossos para neutralizar a acidez do estômago provocada por este alimento.

Evidências científicas associam que o seu consumo pode trazer problemas de saúde para certas pessoas, tanto que algumas precisam moderar a ingestão do leite e de seus derivados, parcialmente ou até totalmente, outras apresentam disfunções como hipersensibilidade às proteínas encontradas no leite de vaca, hipersensibilidade às aminas biogênicas e à galactosemia, além da intolerância à lactose.

O fato é que independentemente dos interesses econômicos na área da alimentação — como no caso da indústria dos laticínios, que incentiva o consumo do leite — e  também de quem tem intolerância ao leite, alergia ou qualquer outra condição especial, as pessoas estão correndo atrás de outras opções para terem uma alimentação mais equilibrada e saudável, substituindo o leite por outras bebidas, como as de arroz ou amêndoa, ou à base de soja e também outros alimentos com teor de cálcio igualmente elevado como brócolis, ameixas, espinafres cozidos ou a sardinha ou ainda às sementes de chia, por exemplo, que possuem um elevado teor de cálcio e podem ser facilmente inseridos na alimentação como no iogurte, na sopa ou na salada, entre outros.

Na verdade, o leite, mocinho ou vilão, é um dos alimentos que gera muitas dúvidas e por isso carrega diversos mitos sobre o seu consumo. Veja a seguir as dúvidas mais comuns sobre o leite — o que é mito e o que é verdade.

Leite faz mal e não deve ser consumido?
Mito
Apesar de ser um tema controverso, há especialistas que garantem que se a pessoa não tem intolerância ou alergia ao leite, ou qualquer outra condição especial, tomar leite não faz mal. Na realidade o alimento é rico em proteínas e cálcio. Inclusive o cálcio do leite é mais facilmente absorvido pelo nosso organismo, principalmente quando comparado aos cálcios presentes em outros alimentos.

Ingerir leite após exercícios físicos é benéfico?
Verdade                           
Segundo um estudo da Universidade do Canadá, mulheres que consomem dois copos grandes de leite diariamente após a rotina de musculação adquirem mais massa muscular, além de perderem mais gordura, quando comparadas às mulheres que ingerem energéticos. Isso é possível porque o leite repõe substâncias que perdemos quando transpiramos, reidratando o nosso corpo. A versão desnatada é a mais indicada.

Leite pode intensificar a gastrite?
Verdade
Pessoas que sofrem de gastrite devem evitar a ingestão de leite, mas isso depende também da forma que ele é consumido. Consumi-lo sozinho pode levar ao aumento do suco gástrico, para que os nutrientes do leite sejam digeridos. O ideal para quem sofre de gastrite, portanto, é consumir o leite junto com outros alimentos.

A ingestão de leite causa pedras nos rins?
Mito
Ao contrário da crença popular, o leite não provoca aumento de depósitos minerais nos rins, levando à formação de cálculos renais (litíase renal).  Pesquisas na Universidade de Chicago mostraram que as pessoas podem consumir 600 mg de cálcio (2 xícaras de leite) sem aumentar seu risco de formação de cálculos. Alguns estudos sugerem que a ingestão de leite, na dosagem certa,  está associada com taxas menores de formação de cálculos renais.

Assim, em vez de eliminar o leite da alimentação, o ideal é beber muita água, evitar álcool em excesso e reduzir o consumo de sal, prevenindo assim complicações renais.

Leite desnatado é somente leite integral com água adicionada?
Mito
O leite desnatado apenas tem um teor reduzido de gordura saturada e colesterol. Não há acréscimo de água e nem redução de nutrientes. 

Há quem afirme que a versão desnatada tem mais cálcio, o que seria positivo para prevenção da osteoporose e mais sódio o que seria negativo, principalmente, para hipertensos.


A diferença é irrelevante, já que as quantidades desses minerais, assim como de outros nutrientes, são semelhantes nos dois tipos de leite.

Se a pessoa for intolerante à lactose, deve evitar todos os laticínios?
Mito
O que ocorre é que o grau de intolerância à lactose varia de acordo com a raça e a etnia, podendo se apresentar de uma forma mais ou menos agressiva.  Com isso, muitas pessoas não podem consumir o leite em excesso, porém apresentam boa aceitação de seus derivados. O melhor é sempre seguir a orientação do seu médico e/ou nutricionista.

Ingerir leite quando se está resfriado causa aumento de muco?
Mito
Não há pesquisas cientificas que demonstrem que o leite produz muco nas vias aéreas ou na garganta. Muitas pessoas confundem o espessamento leve e temporário da saliva após a ingestão do leite, com muco. De fato, beber bastante fluido quando se está resfriado, é importante para apressar a recuperação e faz bem ao sistema imune.

É verdade que grávidas não podem tomar leite durante a gestação?
Mito
A falta de consumo do leite e derivados durante a gestação coloca em risco o infante (feto) a uma série de deficiências nutricionais.

É necessário, se não premente, que a gestante consuma este grupo de alimentos, a menos por intolerância à lactose ou alergia ao leite.

Leite ajuda a combater a osteoporose?
Verdade
Osteoporose é uma doença na qual os ossos tornam-se mais frágeis e suscetíveis às fraturas. Ossos saudáveis necessitam de dieta bem balanceada, incorporando minerais e vitaminas de diferentes grupos alimentares, especialmente para garantir que a dieta seja rica em cálcio.

As melhores fontes de cálcio são leite e derivados, prontamente absorvidos pelo organismo e que dão aos ossos sua força e exercem papel importante na estrutura, no desenvolvimento e na manutenção dos tecidos ósseos.

Leite ajuda na prevenção do câncer?
Verdade
Em termos de risco de câncer, laticínios e cálcio demonstraram tanto efeitos protetores quanto danosos. Mas os benefícios totais na saúde comprovados superam os danos não comprovados.

Diversos estudos apontam que o leite e seus nutrientes como o cálcio, a vitamina D, a lactoferrina (uma proteína) e as proteínas de soro de leite em geral apresentam efeitos positivos sobre a redução de câncer, principalmente o de cólon.

É verdade que não se pode tomar leite com manga?
Mito
Na época da escravidão, os senhores de engenho, preocupados em diminuir o consumo de leite por parte dos escravos (quanto menor o consumo, maior a sobra para comercialização) e sabedores da grande quantidade de manga que os escravos consumiam devido à fartura dessa fruta, diziam que consumir manga e tomar leite poderia até causar a morte.

Até hoje, a força dessa crendice se manifesta. Na verdade, a combinação manga com leite faz muito bem para a saúde, representando uma dupla altamente nutritiva.

É verdade que crianças com menos de um ano devem evitar tomar leite de vaca?
Verdade
O leite de vaca não é recomendado para crianças com menos de 1 ano. Os bebês alimentados com leite integral de vaca (LIV) não obtêm vitamina E suficiente, ferro e ácidos graxos essenciais.

Por outro lado, há a obtenção de muita proteína, sódio e potássio. Estes níveis podem ser muito altos para o sistema da criança suportar. A proteína e gordura do LIV são mais difíceis para uma criança digerir e absorver.

A recomendação é que as crianças sejam amamentadas ao peito ou com fórmulas fortificadas com ferro nos seus primeiros 12 meses de vida.

É verdade que os asmáticos não podem beber leite?
Mito
Não há evidências associando lácteos com asma. Estudos concluídos em 2005 indicaram que não há ligação entre o consumo de leite e a asma. Em outro estudo, não houve diferenças na sensação experimentada entre a ingestão de bebida a base de soja e leite de vaca.
Leite ajuda no combate da anemia?
Verdade
A ingestão de carne vermelha e leite fortificado podem combater os níveis diminuídos de ferro. Quando este mineral está em falta causa anemia. Se severa, em crianças, pode retardar o desenvolvimento cerebral e resultar em problemas de comportamento e função cognitiva prejudicada.

É verdade que a gordura do leite pode ser saudável?
Verdade
Embora considerado alimento com alto teor em colesterol, o leite e seus derivados não são os maiores contribuidores para o colesterol dietético, pois o leite integral contém 10 – 15 mg de colesterol/dL, enquanto o leite desnatado a 1% contém menos que 8 mg/dL de colesterol.

As gorduras trans foram implicadas como fatores de risco para DCV (doenças cardiovasculares), devido ao seu efeito hipercolesterolêmico. Os riscos de DCV das gorduras trans ingeridas no leite e seus produtos são, contudo, muito pequenas comparadas ao risco do consumo de óleos vegetais hidrogenados.

O chocolate tira o efeito do leite?
Mito
O leite aromatizado contém os mesmos 9 nutrientes essenciais que o leite puro: cálcio, potássio, fósforo, proteínas, vitaminas A, D e B12, riboflavina e niacina (equivalentes) e é uma alternativa saudável para substituir refrigerantes.

O café tira as proteínas do leite?
Verdade
O café interfere na absorção do cálcio contido no leite, o que torna a mistura café com leite um alimento pouco eficaz. O café possui substâncias bioativas e que podem contribuir para as atividades antioxidantes.

É necessário ferver o leite antes de tomar?
Mito
Ferver o leite não garante que o produto ficará livre de bactérias nocivas, mesmo porque as condições caseiras não permitem a eliminação dos agentes causadores de doenças eventualmente presentes no leite cru.

Há tipos de bactérias como o Bacillus cereus que a fervura pode até mesmo estimular sua disseminação no leite e provocar intoxicação alimentar.

Produtos lácteos têm as mesmas vitaminas que o leite puro?
Verdade
Os produtos lácteos contêm muitos nutrientes importantes para a boa saúde e nutrição. Queijos contêm os mesmos nutrientes benéficos que o leite, mas a maioria contém mais gorduras saturadas e altos níveis de sal.

O iogurte é rico em proteínas e vitamina B2 que nem o leite. Algumas variedades contêm bactérias vivas, e são saudáveis para o sistema digestivo.

Algumas pessoas evitam o consumo de produtos lácteos diariamente, porque são comparativamente mais ricos em gorduras.

É verdade que tomar muito leite na infância faz evitar problemas de saúde quando adulto?
Verdade
As recomendações para a ingestão dietética de cálcio têm aumentado para crianças e adolescentes a fim de maximizar o pico da massa óssea e por fim reduzir o risco de fraturas osteoporóticas.

Os benefícios a longo termo do aumento da ingestão de cálcio durante o crescimento pode significar redução de doenças muitas décadas depois. Os estudos demonstram que a suplementação da dieta com leite ou derivados resultam em efeitos persistentes na massa óssea.

Leite orgânico é mais seguro que o leite normal?
Mito
Os dois são seguros para o consumo. A diferença do orgânico é que as vacas produtoras não recebem hormônios ou antibióticos para aumentar a produção de leite. Essas vacas também não se alimentam de pastos com fertilizantes, o que torna o leite orgânico mais puro e a opção que mais preserva o meio ambiente.

No entanto, o governo brasileiro estabelece regras rígidas de segurança para garantir que todo leite comercializado esteja livre de resíduos que possam ser prejudiciais ao organismo. Por isso, tanto a versão convencional quanto a orgânica são consideradas seguras.

Leite causa acne?
Mito 
Existe um estudo que demonstra que os hormônios das vacas podem funcionar como pré- hormônios no sistema enzimático das glândulas de gordura. Segundo estudos da Harvard (EUA), tudo indica que esses hormônios seriam semelhantes aos causadores de acne na pele humana. No entanto, ainda faltam mais pesquisas para comprovar essa relação.

Alergia à proteína do leite é diferente de alergia à lactose?
Verdade
Alergia à proteína é uma resposta imunológica do corpo contra a proteína do leite, que pode ser de vaca, cabra, búfala etc. Segundo especialistas, o organismo entende essa proteína como um agente estranho que precisa ser combatido e pode desencadear reações alérgicas, como diarreia e urticária.

Já a alergia à lactose é a falta ou deficiência da produção de uma enzima chamada lactase, que serve para digerir a lactose — o açúcar natural do leite que, quando não absorvida, essa substância é fermentada por bactérias do intestino grosso, levando à diarreia.

Bebida à base de soja é tão nutritiva quanto o leite de vaca?
Depende
As bebidas à base de soja, se fortificadas, podem conter a mesma quantidade de determinados nutrientes, quando comparado ao leite de vaca.

Entretanto, é necessário verificar se os nutrientes presentes nessas bebidas são absorvidos com a mesma facilidade que os nutrientes encontrados no leite de vaca.

O que acontece é que, muitas vezes, os nutrientes adicionados às bebidas de soja não estão na forma que é mais facilmente absorvida pelo nosso organismo. Portanto, acabamos tendo que consumir uma quantidade maior de bebidas à base de soja se queremos obter o mesmo nível de nutrientes que se encontram no leite de vaca.

Mulheres na menopausa devem aumentar o consumo de leite?
Parcialmente verdade
Após a menopausa, a mulher pode apresentar perda de massa óssea, que aumenta o risco de osteoporose. Especialistas recomendam consumir alimentos ricos em cálcio, em geral, 2 a 3 copos de leite suprem a necessidade diária de cálcio.

O leite materno pode ser substituído pelo leite de vaca?
Mito
De acordo com especialistas, o leite materno é o primeiro alimento que consumimos na vida. Ele possui anticorpos e todos os nutrientes que os bebês necessitam até os 6 meses de idade. A composição química do leite de vaca é diferente e somente o pediatra pode sugeri-lo como substituto ao leite materno, quando houver necessidade.

Leite faz bem para o coração?
Verdade
Um estudo da Universidade de Wageningen, na Holanda, publicado na revista científica American Journal of Clinical Nutrition, sugere que o consumo diário de 3 copos de leite pode diminuir em até 18% o risco de doenças cardíacas.

Outra pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Cardiff e Universidade de Reading, na Inglaterra, indicam que o consumo regular de leite reduz em 20% a incidência de casos graves de infarto e derrame. Os cientistas britânicos também verificaram que o leite ajuda a reduzir os níveis do mau colesterol (LDL).

Beber leite morno ajuda a dormir?
Parcialmente verdade
O leite é rico em triptofano, aminoácido que modula a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar, que é convertido em melatonina, o hormônio do sono.

Segundo pesquisas do American Board of Sleep Medicine o triptofano atua apenas na primeira fase do sono, quando a pessoa começa a ficar sonolenta. De acordo com os cientistas o leite morno deve ser acompanhado por algum carboidrato, como pão com mel, para estimular o sono.

Leite e derivados ajudam na manutenção do peso?
Verdade
Há algum tempo vem se discutindo a importância da ingestão de leite e seus derivados para uma dieta saudável e nutritiva. Segundo recente estudo publicado no Journal of the American College of Nutrition, pela pesquisadora Marta Van Loan, PhD da Universidade da Califórnia (EUA), o consumo da bebida pode ajudar também no processo de perda de peso e, com isso, prevenir problemas como a obesidade.

O estudo mostra que populações de diferentes faixas etárias que consomem leite são mais magras e têm menos tendência a serem obesas. O artigo sugere que essa relação pode ser atribuída ao cálcio presente no leite que pode estimular a redução de gordura no organismo.

Leite ajuda na redução da pressão arterial? 
Verdade
Evidências epidemiológicas mostram que o consumo de leite e produtos lácteos é relacionado como um fator inversamente proporcional à pressão sanguínea e ao risco de hipertensão. Isso se deve aos minerais presentes no leite: cálcio, potássio e magnésio.

Leite influência na dentição?
Verdade
Para uma boa saúde dentária é importante, além dos cuidados relacionados à higiene, uma alimentação cuidadosa, que ajuda a formação dentária, protege os dentes de cáries e mantém a gengiva saudável. O leite é importante, pois o cálcio é o principal mineral envolvido na formação e manutenção de dentes saudáveis.

O leite ajuda a prevenir o diabetes?
Verdade
O diabetes é uma doença provocada pela deficiência de produção e/ou de ação do hormônio insulina, que leva a importantes complicações na saúde. Estudos recentes mostram que o leite pode atuar como coadjuvante no tratamento e prevenção deste problema.

Este efeito se daria a partir do alto teor de aminoácidos das proteínas do soro do leite, os quais afetam os processos metabólicos do organismo, favorecendo o controle da glicemia e a ação da insulina e, dessa forma, atuaria positivamente no controle das taxas de açúcar no sangue.

É verdade que o leite semidesnatado é o melhor para a saúde?
Verdade
O leite semidesnatado possui grandes benefícios à saúde, pois contêm a mesma quantidade de proteínas e cálcio se comparado aos outros tipos de leite (integral e desnatado), com menor quantidade de gorduras.

A gordura presente deixa o leite mais saboroso e com uma textura mais agradável. E além disso, é de boa qualidade e importante para vários processos do organismo, como transporte de vitaminas lipossolúveis (solúveis em gorduras) e formação de hormônios, por exemplo.


Cabe lembrar que no dia 1º de junho é comemorado o Dia Mundial do Leite, instituído pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) no ano de 2001, cujo objetivo é alertar a população mundial sobre a importância dos lácteos para a manutenção de uma alimentação equilibrada.

Jean-Pierre Poinsignon, médico e pesquisador francês e autor do livro Rhumathismes: et si votre alimentation était culpable?, traz uma longa lista de doenças respiratórias, osteoarticulares, digestivas, autoimunes e cutâneas – da flatulência a acne, otites, artrites e asma – derivadas do consumo do leite animal.

Para o autor, o único leite adaptado à espécie humana é o materno, e nenhum mamífero adulto consome o leite de sua mãe. A tese de Poinsignon é simples: somos vítimas das indústrias alimentícia e farmacêutica e da propaganda. Você quer curar ou prevenir doenças? Mude de dieta.

Segundo Poinsignon, a osteoporose, grande alvo das campanhas a favor do consumo de laticínios ricos em cálcio, não está ligada à falta do mineral. “Essa é uma fábula escandalosa fabricada pelo lobby da indústria de laticínios e por peritos médicos alimentados por publicações financiadas pelo interesse mercantil. É só lembrar que há um número enorme de pessoas com osteoporose nos países com alto consumo de leite e derivados.”

Considerando o panorama globalizado, em que mais gente vive do mercado de laticínios do que sofre por causa desses produtos, o norte-americano Robert Cohen escreveu o livro-denúncia Leite: Alimento ou Veneno? (Editora Ground, 2005). Cohen estudou psicologia fisiológica, psicobiologia, genética e endocrinologia para alertar que a bucólica imagem publicitária da vaquinha pastando em um campo verde nada tem a ver com a realidade de confi namento dos animais e a dieta que recebem.

Na maior parte das vezes, o gado é criado à base de esteroides, hormônios e antibióticos, e alimentado com cultivos tratados com pesticidas ou geneticamente modifi cados, para que cresça mais rápido e produza mais leite. Parte desses insumos químicos é transferida ao leite. Cohen ressalta que no processo de pasteurização (fervura do leite), criado para evitar a transmissão de doenças, são destruídas proteínas e enzimas como a fosfatase, que ajudam no processo digestivo e na absorção do cálcio. Ou seja, o líquido que chega à mesa pouco pode oferecer do que se espera dele.

O Ministério da Saúde do Brasil recomenda o consumo de três porções diárias de leite (pasteurizado e preferentemente desnatado) ou de derivados, mas a média nacional de consumo de laticínios está abaixo disso: 43,7 kg per capita por ano, menos de um copo por dia.

Para Jean-Pierre Poinsignon, ao estimular o consumo de leite, o Brasil reproduz os erros nutricionais que a França cometeu nos anos 1950, com consequências sanitárias lamentáveis: obesidade mórbida, diabete, câncer, doenças cardiovasculares e autoimunes, etc. O pesquisador é duro quanto aos processos de fortificação da bebida. “Um veneno ao qual se adicionam bons ingredientes continua a ser um veneno”, diz. Na sua visão, deveríamos retornar às dietas do passado, com frutas cruas, legumes pouco cozidos e proteínas animais.

Luiz Carlos Roma Júnior, engenheiro agrônomo, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), relativiza a questão. “É preciso tomar cuidado com o extremismo. O excesso ou a falta de leite, assim como de qualquer outra coisa, pode trazer problemas. O alimento é muito importante para as pontas da vida, a infância e a velhice.” Mas concorda com as críticas sobre a forma como as vacas são tratadas, às vezes por métodos robóticos. “O leite é extraído, e não tirado, sem nenhum cuidado com a saúde do animal.

Roma não só acredita no valor nutritivo do leite como participa do esforço da APTA e da Universidade de São Paulo (USP) para desenvolver um leite biofortificado e funcional. A iniciativa aposta na alimentação diferenciada da vaca para potencializar o leite. “O leite costuma ser fortificado na pós-produção e manipulado para receber vitaminas e ferro, processo mais caro e menos vantajoso para a saúde do consumidor”, diz Karina Pfrimer, nutricionista e pesquisadora da USP envolvida no estudo.

Essa inovação, dizem os especialistas, melhorou o sistema imunológico dos animais, diminuiu a incidência de doenças e favoreceu o enriquecimento da produção, resultando em benefícios aos consumidores de produtos lácteos.  

Pode-se dizer que, apesar das controvérsias, o leite é considerado um alimento completo em termos nutricionais que pode beneficiar a saúde da infância à maturidade, entretanto, atualmente, os benefícios desse hábito é questionado por cientistas e médicos. Trata-se de um tema controverso, principalmente, por envolver os interesses de um mercado global e por afetar paixões gastronômicas, já que abrir mão de queijos, iogurtes, sorvetes, leite e outras guloseimas lácteas requer alguns sacrifícios.

É evidente que a controvérsia láctea vai continuar e enquanto esperamos por novas alternativas saudáveis e acessíveis a todos, é recomendado manter um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e muita atividade física, não esquecendo, entretanto,  que é imprescindível o acompanhamento de um profissional de saúde e/ou da alimentação.

Leite faz Bem ou Mal à saúde?
Pesquisa:
• Sociedade Brasileira de Alimentação e Alimentação (SBAN)
• Ciência do Leite
• Hospital das clínicas
• Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
• Revista Planeta Terra
• Organização Pan-Americana da Saúde - OPAS
• Centro de Nutrição e Alimentação Mimosa
• Saúde Abril
SINDILEITE
Blog Saltitando com as Palavras

Tags: