Nunca faça o mal, faça sempre o bem e purifique a mente


As fábulas budistas são narrativas antigas que ensinam sabedoria, bondade, paciência, respeito, compaixão e generosidade, além de mostrarem como enfrentar os desafios da vida.

Confira abaixo uma das parábolas budistas cujo mestre Zen Niaochao (741–824 d.C.), famoso monge budista da Dinastia Tang, ficou célebre na história por viver e meditar no topo de uma árvore frondosa, assemelhando-se a um ninho.

Durante a dinastia Tang, na China, vivia um homem chamado Bai Juyi. Ele era um dos poetas mais famosos, cultos e influentes de sua época, respeitado por governantes e intelectuais. Apesar de todo o seu vasto conhecimento literário, Bai Juyi sentia um vazio espiritual e decidiu que precisava estudar a fundo a sabedoria de Buda.

Ele ouviu falar de um mestre zen extraordinário chamado Niaochao, conhecido por sua vida de extrema simplicidade: ele meditava no topo de uma grande árvore frondosa, o que lhe rendeu o apelido de "Mestre Ninho de Pássaro".

Curioso e determinado, o poeta viajou por dias através de estradas difíceis e montanhas até chegar à floresta onde o mestre vivia. Ao chegar na base da árvore, Bai Juyi olhou para cima, viu o velho monge sentado calmamente entre os galhos e disse:
— Mestre, o senhor corre um grande perigo vivendo aí em cima!

O mestre zen sorriu lá do alto e respondeu:
— Meu amigo, a sua posição no mundo dos homens é muito mais perigosa do que a minha nesta árvore.

Reconhecendo a agudeza da resposta do monge, o poeta mudou de tom. Com respeito, ele fez a pergunta que o levara até ali:
— Mestre, por favor, me diga: Qual é a essência do ensinamento?  

O mestre Niaochao olhou para o poeta e respondeu com simplicidade:
— Nunca faça o mal, faça sempre o bem e purifique a mente.

Ao ouvir aquilo, Bai Juyi sentiu-se profundamente decepcionado. Ele esperava uma revelação mística, uma tese filosófica complexa ou um segredo oculto que justificasse a sua longa jornada. Um tanto irritado e irônico, o poeta retrucou:
— Mas mestre... Até uma criança de três anos de idade sabe disso!

O mestre zen olhou nos olhos do orgulhoso poeta e, com uma voz mansa disse: Embora uma criança de três anos possa dizê-las, um homem de oitenta ainda não consegue colocá-las em prática.

Ouvindo essas palavras, o poeta compreendeu imediatamente o seu erro. Ele curvou-se profundamente diante do mestre em sinal de respeito e agradecimento, percebendo que a verdadeira sabedoria não estava em acumular teorias na mente, mas sim em viver com retidão no dia a dia.

Moral da História:

• Saber não é o mesmo que fazer;

• A importância da humildade;

• O essencial é simples, mas não é fácil.

As regras para uma vida justa e pacífica são diretas e universais - fazer o bem, evitar o mal. A fábula ainda nos lembra de abaixar a guarda do orgulho para conseguirmos absorver a verdadeira sabedoria.

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